Às vezes me pego fazendo essa pergunta não por falta de romantismo, mas por excesso de realidade. Porque amar, hoje, parece mais um exercício de resistência do que de entrega. As promessas são rápidas, os vínculos são frágeis e os sentimentos, muitas vezes, vêm com prazo de validade.
Talvez o amor não tenha acabado — talvez nós é que estejamos cansados. Cansados de expectativas não correspondidas, de diálogos que não acontecem, de conexões que começam intensas e terminam em silêncio. Cansados de explicar o óbvio: que presença é diferente de disponibilidade, que interesse se demonstra, que afeto não se terceiriza.
Antes, o amor parecia um lugar. Hoje, parece um trânsito. Pessoas passam, ficam um pouco, deixam marcas e seguem. Ninguém quer se demorar demais, ninguém quer se comprometer com o risco de sentir. O problema é que, sem risco, também não existe profundidade.
Não é que eu tenha deixado de acreditar no amor. Eu deixei de acreditar na versão idealizada dele. Aquela que tudo suporta, tudo entende, tudo perdoa. O amor real é falho, imperfeito, cheio de ruídos — e talvez seja justamente por isso que assuste tanto.
No fundo, a descrença não é sobre o amor em si. É sobre as pessoas. Sobre como aprendemos a nos proteger mais do que a nos conectar. Sobre como confundimos independência com isolamento, liberdade com ausência, maturidade com frieza.
Talvez o amor ainda exista, sim. Mas esteja mais raro, mais silencioso, mais seletivo. Talvez ele não esteja nas declarações grandiosas, e sim nos pequenos gestos que quase ninguém valoriza mais. Talvez ele não tenha morrido — só tenha se escondido, esperando alguém que ainda tenha coragem de sentir sem garantias.
E talvez o maior sinal de que ainda acreditamos seja justamente esse incômodo. Porque quem realmente não acredita, não questiona. Apenas ignora.
