Fico feliz quando elogiam meu trabalho. Não é ego.

Quem olha de fora vê o resultado pronto. Uma tela limpa, uma marca que parece ter nascido daquele jeito, um texto que se lê sem esforço. Ninguém vê as versões que ficaram pelo caminho, a noite em que desmontei tudo porque um detalhe não fechava, o arquivo que abri de novo no dia seguinte só pra mudar uma coisa que talvez só eu fosse perceber.
E eu percebo. Isso me cansa às vezes, mas é também a parte de mim que eu não trocaria.
Existe uma voz aqui dentro que revisa antes de qualquer cliente, gestor ou colega. Ela é mais exigente que todos eles juntos. Pergunta se dava pra ser mais simples, se aquilo resolve mesmo ou só ficou bonito, se estou entregando o meu melhor ou só o suficiente pra passar. Na maioria dos dias eu escuto. Em alguns, confesso, queria que ela descansasse um pouco.
Por isso o elogio chega diferente. Quando alguém diz “ficou muito bom”, não ouço como aplauso. Ouço como sinal de que todo aquele esforço que ninguém viu chegou do outro lado. Que a cobrança fez sentido. É quase um alívio.
Muita gente confunde gostar de reconhecimento com vaidade. Pra mim, vaidade é querer plateia pra qualquer coisa. O que eu sinto se parece mais com o de quem cuidou de uma planta por meses e um dia alguém repara que ela floriu. A pessoa não fez a flor, mas esteve lá todos os dias.
Não sei se um dia vou aprender a me cobrar menos. Talvez nem deva. Mas aprendi a aceitar o elogio sem me desculpar por ele, sem responder “ah, não foi nada”. Foi alguma coisa, sim. Foi bastante.